sábado, 15 de dezembro de 2018

Soap


- Put on hold and a hold me...

In yiddish or in english
Madam hears it with
dish soap on her hands.
This soap opera on the radio
that sold so much.

Love is a best-seller
especially
when his author is no-show.

--

In her hands - wishes
On her hands - dishes.


PJ.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Mind your own business



He is no-show;
Me - in this room.

Frustration.


In the showroom
of my feelings,
this sentiment
is on stock.
That isn't a shock.


People go around
and fool me,
Fool that I am
I keep deluding myself:
- We never know
probably he is sick...
Or is he just a dick?



We never know,
this is not new.
We have to exchange a feeling
"tender care" for "angryfear"
in the department store
in ours hearts.

Sometimes, the feeling
is just right, fits perfectly.
In others moments, we hear:
- We are sorry, but Comprehension in this size isn't available.
See if you can find it in "The Mind store".


But the Mind is close. To late.
I forgot that only The Heart works 24 hours a day.
The Mind needs time for replacing items, like
- patience;
- indulgence;
- empathy.
Rare nowadays.

If the feeling don't fit right
we have to stretch the feeling
like we stretch the truth.
But, if we force too much,
the feeling can tear apart
And tears will appear.

But tears are not free!
There is the law of demand:
Always needed.
All taxes included.

That's the price,
we have to pay for it.


P.J.

sábado, 8 de dezembro de 2018

invejo
pois vejo
o que invento.

imagens ao vento
gestos não feitos

O quê fica?

uma amargura latente,
que como uma fotografia só se revela
a luz de algo

que algo será esse? A ilusão, o sonho, o ciúmes, a falta de outra ilusão que substitua o filme que não há, mas roda, em nossa mente, percorre nosso cotidiano com o que não há, convive conosco, mesmo não havendo, modifica a existência mesmo não existindo.


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Estados


Em outros estados
de espírito
e de espaços.

Como comunicarmos?

Estações passam.

Nevesol ao mesmo tempo
no corpo e na mente.

A realidade não mente:
ilusões são persistentes. 

sábado, 15 de setembro de 2018

Não.

vão

é a solidão -
tipo de evasão,
fuga da emoção
da nossa inaptidão
em dominar a tensão
da nossa incompreensão,
dos outros, em nossa relação.
Sem atenção, as pessoas se vão.
Há certa comoção com a separação.


Um não pode ser um convite para solidão.

PJ.

Poèmenade


Page = plage. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.
Lunettes des lettres. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.

Livre = porte. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.
Coquille. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.
Réalité est là. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.

Bravo! Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos.


Poèmenade 

À la page
Je suis allée me baigner
libre dans les livres;
mes mots sont sortis bronzés.

Comme la lumière était forte,
des lunettes je portais
(pas de soleil, mais celles de vue).

Mais même sans lunettes,
on ne s'aveugle pas,
protégés dans cet amas.

Les livres sont des portes,
On y entre tout nu
Et même les plus inquiets
ne sortent pas dépourvus !

On y va à la cueillette
Et, hélas, parfois on trouvera
des coquilles chez les lauréats !

À la fin du voyage,
on sort du mirage :
La réalité est là.

Ne pas pouvoir vivre
dans ces paysages
c'est un vrai dommage...

Être artiste n'est pas facile tâche ;
Coucher sur le papier ces taches
noirâtres - les mots - que je ne mâche
pour dire qu'ils ne sont pas des lâches !

Aux écrivains qui nous laissent ivres
Ici, je fais mon hommage.
Bravo, quel courage !



Priscila Junglos, feito dia 15/09/2018, depois de matar a sede nas palavras, para não me afogar na realidade.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Não, não é cansaço...(Traduction d'un poème d'Álvaro de Campos)

Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 111.
--


Traduction de Priscila Junglos


Non, ce n'est pas de la fatigue...
C'est une quantité de désillusion
qui se me faufile dans l'espèce de penser,
C'est un dimanche à l'envers
Du sentiment,
Un jour férié passé à l'abîme...

Non, fatigue ce ne l'est pas...
C'est que je suis en train d'exister
Et le monde aussi,
Avec tout ce qu'il contient,
Avec tout ce que dans lui se déplie
Et finalement c'est la même chose variée en copies égales.

Non. De la fatigue pourquoi ?
C'est une sensation abstraite
De la vie concrète --
N'importe quelle chose comme un cri
À donner,
N'importe quelle chose comme une angoisse
À souffrir,
Ou à souffrir complètement,
Ou à souffrir comme...
Oui, souffrir comme...
C'est ça, comme...

Comme quoi ?...
Si je savais, il n'y aurait en moi cette fausse fatigue.

(Aïe, aveugles qui chantent dans la rue,
Quel formidable orgue de barbarie
que c'est le violon de l'un, et la viola de l'autre, et sa voix à elle !)

Parce que j'entends, je vois
J'avoue : c'est la fatigue !...












sábado, 8 de setembro de 2018

Sim, sei bem [Oui, je sais] de Ricardo Reis. Fernando Pessoa

Sim, sei bem

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me me crer
O que nunca poderei ser.


8-7-1931

in Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 133.



Traduction / Tradução de Priscila Junglos


Oui, je sais 

Oui, je sais 
Que je ne serai personne, jamais.
Je sais même trop
Que je ne ferai pas mon lot.  
Je sais, finalement
Que de moi jamais je ne saurai rien.
Oui, mais maintenant, 
Pendant ce moment,
Ce clair de lune, ces ramures
Cette paix dans laquelle on se trouve
Laissez-moi me sentir
Ce que je ne pourrai pas devenir.

Variante (3ª e 4 ª linha):

Je sais, j'ai toutes les preuves,
Que je ne ferai pas mon œuvre.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Aluga-se sonhos

Legítimo couro sintético. Economy premium. Estado democrático. Mentiras que nos contam.


Disciplinados vão se divertir na Disney. Trabalhando em castelos, vivendo em carros, os funcionários.

Tartarugas marinhas sem o direito de se reproduzir porque turistas mexem em seus ovos.
Alce se afoga atordoado pelas máquinas fotográficas de turistas.


Tigre drogado é batido com pau para fazer cara de fera para que turistas batam fotos fera com pau de self ao lado dele.

Ao lado dele?


Gimpanzé é usada como prostituta em prostíbulo para humanos.

Humanos?


Baleia nada com filhote falecido por dias porque sabe que em extinção.

Nada, nada.