vão
é a solidão -
tipo de evasão,
fuga da emoção
da nossa inaptidão
em dominar a tensão
da nossa incompreensão,
dos outros, em nossa relação.
Sem atenção, as pessoas se vão.
Há certa comoção com a separação.
Um não pode ser um convite para solidão.
PJ.
sábado, 15 de setembro de 2018
Poèmenade
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| Page = plage. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
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| Lunettes des lettres. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
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| Livre = porte. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
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| Coquille. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
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| Réalité est là. Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
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| Bravo! Ilustração digital. 2018. Priscila Junglos. |
Poèmenade
À la page
Je suis allée me baigner
libre dans les livres;
mes mots sont sortis bronzés.
Comme la lumière était forte,
des lunettes je portais
(pas de soleil, mais celles de vue).
Mais même sans lunettes,
on ne s'aveugle pas,
protégés dans cet amas.
Les livres sont des portes,
On y entre tout nu
Et même les plus inquiets
ne sortent pas dépourvus !
On y va à la cueillette
Et, hélas, parfois on trouvera
des coquilles chez les lauréats !
À la fin du voyage,
on sort du mirage :
La réalité est là.
Ne pas pouvoir vivre
dans ces paysages
c'est un vrai dommage...
Être artiste n'est pas facile tâche ;
Coucher sur le papier ces taches
noirâtres - les mots - que je ne mâche
pour dire qu'ils ne sont pas des lâches !
Aux écrivains qui nous laissent ivres
Ici, je fais mon hommage.
Bravo, quel courage !
Priscila Junglos, feito dia 15/09/2018, depois de matar a sede nas palavras, para não me afogar na realidade.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Não, não é cansaço...(Traduction d'un poème d'Álvaro de Campos)
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 111.
--
Traduction de Priscila Junglos
Non, ce n'est pas de la fatigue...
C'est une quantité de désillusion
qui se me faufile dans l'espèce de penser,
C'est un dimanche à l'envers
Du sentiment,
Un jour férié passé à l'abîme...
Non, fatigue ce ne l'est pas...
C'est que je suis en train d'exister
Et le monde aussi,
Avec tout ce qu'il contient,
Avec tout ce que dans lui se déplie
Et finalement c'est la même chose variée en copies égales.
Non. De la fatigue pourquoi ?
C'est une sensation abstraite
De la vie concrète --
N'importe quelle chose comme un cri
À donner,
N'importe quelle chose comme une angoisse
À souffrir,
Ou à souffrir complètement,
Ou à souffrir comme...
Oui, souffrir comme...
C'est ça, comme...
Comme quoi ?...
Si je savais, il n'y aurait en moi cette fausse fatigue.
(Aïe, aveugles qui chantent dans la rue,
Quel formidable orgue de barbarie
que c'est le violon de l'un, et la viola de l'autre, et sa voix à elle !)
Parce que j'entends, je vois
J'avoue : c'est la fatigue !...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 111.
--
Traduction de Priscila Junglos
Non, ce n'est pas de la fatigue...
C'est une quantité de désillusion
qui se me faufile dans l'espèce de penser,
C'est un dimanche à l'envers
Du sentiment,
Un jour férié passé à l'abîme...
Non, fatigue ce ne l'est pas...
C'est que je suis en train d'exister
Et le monde aussi,
Avec tout ce qu'il contient,
Avec tout ce que dans lui se déplie
Et finalement c'est la même chose variée en copies égales.
Non. De la fatigue pourquoi ?
C'est une sensation abstraite
De la vie concrète --
N'importe quelle chose comme un cri
À donner,
N'importe quelle chose comme une angoisse
À souffrir,
Ou à souffrir complètement,
Ou à souffrir comme...
Oui, souffrir comme...
C'est ça, comme...
Comme quoi ?...
Si je savais, il n'y aurait en moi cette fausse fatigue.
(Aïe, aveugles qui chantent dans la rue,
Quel formidable orgue de barbarie
que c'est le violon de l'un, et la viola de l'autre, et sa voix à elle !)
Parce que j'entends, je vois
J'avoue : c'est la fatigue !...
sábado, 8 de setembro de 2018
Sim, sei bem [Oui, je sais] de Ricardo Reis. Fernando Pessoa
Sim, sei bem
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Variante (3ª e 4 ª linha):
Je sais, j'ai toutes les preuves,
Que je ne ferai pas mon œuvre.
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me me crer
O que nunca poderei ser.
8-7-1931
in Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 133.
O que nunca poderei ser.
in Odes de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 133.
Traduction / Tradução de Priscila Junglos
Oui, je sais
Oui, je sais
Que je ne serai personne, jamais.
Je sais même trop
Que je ne ferai pas mon lot.
Je sais, finalement
Que de moi jamais je ne saurai rien.
Oui, mais maintenant,
Pendant ce moment,
Ce clair de lune, ces ramures
Cette paix dans laquelle on se trouve
Laissez-moi me sentir
Ce que je ne pourrai pas devenir.
Variante (3ª e 4 ª linha):
Je sais, j'ai toutes les preuves,
Que je ne ferai pas mon œuvre.
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Aluga-se sonhos
Legítimo couro sintético. Economy premium. Estado democrático. Mentiras que nos contam.
Disciplinados vão se divertir na Disney. Trabalhando em castelos, vivendo em carros, os funcionários.
Tartarugas marinhas sem o direito de se reproduzir porque turistas mexem em seus ovos.
Alce se afoga atordoado pelas máquinas fotográficas de turistas.
Tigre drogado é batido com pau para fazer cara de fera para que turistas batam fotos fera com pau de self ao lado dele.
Ao lado dele?
Gimpanzé é usada como prostituta em prostíbulo para humanos.
Humanos?
Baleia nada com filhote falecido por dias porque sabe que em extinção.
Nada, nada.
Disciplinados vão se divertir na Disney. Trabalhando em castelos, vivendo em carros, os funcionários.
Tartarugas marinhas sem o direito de se reproduzir porque turistas mexem em seus ovos.
Alce se afoga atordoado pelas máquinas fotográficas de turistas.
Tigre drogado é batido com pau para fazer cara de fera para que turistas batam fotos fera com pau de self ao lado dele.
Ao lado dele?
Gimpanzé é usada como prostituta em prostíbulo para humanos.
Humanos?
Baleia nada com filhote falecido por dias porque sabe que em extinção.
Nada, nada.
Jogo dos 7 erros:
A valorização da cultura nesse país democrático depende de todos nós.
Ou
O buraco do mundo
é um poço sem fundo.
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